Arquivo de Dezembro, 2008
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“Os Sete Sapatos Sujos” por Mia Couto
O escritor moçambicano, MIA COUTO também licenciado em Medicina e Biologia, fez uma oração de sapiência, em 7 de Março, na abertura do ano letivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. Excertos desta oração foram publicados no Courrier Internacional, nº. 0, de 2 de Abril.
Gostaria de destacar, Os Sete Sapatos Sujos:
“Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
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Primeiro Sapato – A ideia de que os culpados são sempre os outros;
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Segundo Sapato – A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
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Terceiro Sapato – O preconceito de que quem critica é um inimigo;
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Quarto Sapato – A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
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Quinto Sapato – A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
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Sexto Sapato – A passividade perante a injustiça;
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Sétimo Sapato – A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros.”
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Texto: Mia Couto
Arte: Victor Safonkin
Dezembro 9, 2008
“Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa. Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrespou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares”.

Mia Couto in: Contos do Nascer da Terra 1997
Dezembro 9, 2008
“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…
Isto é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…
Isto é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente…
Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
Isto é circunstância!
Solidão é muito mais do que isto…
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma”.
texto de maman( gostei muito- obrigada)

























































