23 Setembro 2007

Quando morrer quero essas mãos nos meus olhos:
Quero a luz e o trigo das tuas mãos amadas
Passando uma vez mais em mim sua frescura:
Sentir a suavidade que mudou o meu destino.
Quero a luz e o trigo das tuas mãos amadas
Passando uma vez mais em mim sua frescura:
Sentir a suavidade que mudou o meu destino.
Quero que vivas enquanto eu, dormindo, te espero,
quero que os teus ouvidos fiquem ouvindo o vento,
que cheires o aroma do mar que amamos ambos
e fiques pisando a areia que pisamos.
Quero que tudo o que eu amo fique vivo,
e a ti amei e cantei sobre todas as coisas,
por isso fica tu florescendo, florida,
para que alcances tudo o que este amor te ordena,
para que esta sombra corra o teu cabelo,
para que assim conheçam a razão do meu canto.
Pablo Neruda